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 Atualizado em 16-10-19 14h01min  |  Fonte: Superesportes |  Qtd Leituras: 3042
Há 40 anos, uma bolada e um drama

Há 40 anos, o futebol brasileiro era abalado pelo drama de um de seus maiores craques. Em 24 de setembro de 1969, uma noite de quarta-feira, na derrota para o Corinthians por 2 a 0, no Pacaembu, pela quinta rodada do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, Tostão, o principal jogador do Cruzeiro e de Minas Gerais, ao levar uma bolada no olho esquerdo, sofria descolamento da retina. Operado na cidade texana de Houston (EUA), voltaria a jogar em 1970 e seria campeão mundial pelo Brasil no México. Mas, em fevereiro de 1973, quando defendia o Vasco, o problema reapareceu e, depois de meses de expectativa, o forçou em agosto a encerrar a carreira, com apenas 26 anos.

Tostão retornou de São Paulo, na manhã seguinte ao jogo, em companhia do zagueiro M[ario Tilico, do volante Piazza e do atacante Evaldo, que também haviam se contundido, além do médico Neylor Lasmar – o restante da delegação só viajaria à noite. Logo ao chegar a Belo Horizonte, com o olho bastante inchado e a visão dificultada, ele foi encaminhado ao Hospital São Geraldo, onde o oftalmologista Geraldo Queiroga, de imediato, lhe recomendou repouso no restante do dia.

No dia 26, o Estado de Minas trazia a descrição do lance fatídico, no início do segundo tempo, quando o Cruzeiro já perdia por 1 a 0: “Palhinha fez um lançamento para a área. Tostão correu para receber, mas Ditão (zagueiro corintiano) chegou primeiro e deu um chute violento. Tostão vinha na corrida e não pôde evitar a bolada no rosto, com seu olho sendo atingido em cheio”.

Curiosamente, em amistoso da Seleção Brasileira contra o Millonarios, em Bogotá, em 1º de agosto, o ídolo celeste havia levado uma joelhada do colombiano Castaño no mesmo olho e teve de ser substituído por Dirceu Lopes. Um ano antes, ao fazer o terceiro gol na vitória por 3 a 1 sobre o Araxá, no Mineirão, o camisa 8 se chocou com o goleiro e caiu com o rosto na linha de cal da pequena área, causando irritação nos olhos.

A edição de sábado, 27 de setembro, informava que Tostão não enfrentaria o Atlético no dia seguinte e teria de ficar em repouso absoluto por oito dias. Queiroga havia realizado novo exame e o proibira de fazer qualquer esforço, inclusive ler ou assistir à TV. Mas ainda não havia mencionado o descolamento da retina. “O clássico de amanhã, sem Tostão, não vai ser como sempre. Muita gente vai deixar de ir a campo, a renda vai cair e o espetáculo perderá muito de sua beleza”, lamentou o EM. A produção do filme Tostão, a Fera de Ouro, com direção de Ricardo Gomes Leite e argumento de Roberto Drummond, teve de cancelar as filmagens finais marcadas para antes, durante e depois do clássico, vencido pelo Cruzeiro por 2 a 1, com show de Dirceu Lopes.

VIAGEM Em 3 de outubro, o EM trazia a má notícia: “Tostão em Houston para a operação”. Na véspera, Queiroga e o ilustre oftalmologista Hilton Rocha, igualmente do São Geraldo, depois de novos exames no craque, anunciaram que haveria a necessidade de cirurgia para correção do descolamento da retina do olho esquerdo. A preocupação se espalhou por todo o país, porque, havia pouco menos de dois meses, Tostão fora o grande nome da campanha do Brasil nas Eliminatórias da Copa do Mundo, ao se transformar no principal artilheiro da competição em todo o mundo, com 10 gols.

O local escolhido para a cirurgia foi a clínica especializada em operações de retina anexa ao Hospital Metodista, no Centro Médico de Houston. Ex-aluno de Hilton Rocha, o mineiro de Araguari Roberto Abdala Moura, que trabalhava na instituição americana, seria o responsável pela operação. A viagem foi acertada ainda na quinta-feira, 2 de outubro, tratada como segredo pelo Cruzeiro. Em companhia do economista Francisco Mafra, amigo de Abdala Moura e responsável pelo primeiro contato com o eminente oftalmologista, Tostão embarcou em jatinho fretado para o Rio, de onde seguiu para os Estados Unidos.

O EM já trazia um alerta quanto ao futuro da carreira do ídolo: “O problema é que, após a operação bem-sucedida, o paciente fica sempre arriscado a um novo descolamento. Não existe possibilidade de Tostão perder a vista. Mas ninguém sabe como será o problema num atleta que tem de fazer sempre grandes esforços físicos”.

A previsão era de que o astro só voltaria a jogar em 1970 – o prazo de recuperação era de dois a três meses. O risco de parar de atuar quase não existia no momento. Mas o jogador teria de se submeter a exames periódicos para acompanhamento da evolução da cicatrização nas extremidades da retina, que foram atingidas pelo raio laser. A preocupação maior era quanto à presença do jogador na Copa do México.

Antes de viajar, Tostão atendeu à imprensa em casa e demonstrava tranquilidade. “Não há motivos para preocupação. Os médicos me revelaram tudo que está se passando e meu estado é normal. Quanto à operação, acredito que também não haverá qualquer problema. O ruim da história é que terei de ficar de fora do futebol durante alguns dias. Mas a certeza de voltar a correr conforta a gente e estou sem medo.”

A cirurgia, na manhã de 6 de outubro, uma segunda-feira, durou 3 horas e 35 minutos. Abdala Moura afirmou que tudo ocorrera de acordo com o previsto, presenteou o atleta com uma bola e lhe garantiu que até janeiro teria condições de voltar aos treinos com bola.

Em março, Tostão reiniciou os treinos na Seleção. Em junho, era campeão do mundo pelo Brasil. Mas, pelo Cruzeiro, só voltaria a atuar em 22 de julho de 1970, um mês e um dia depois da final da Copa, por causa de demorada renovação de contrato. E retornou em grande estilo: quatro gols na goleada por 5 a 0 sobre o Tupi, no Mineirão, pelo primeiro turno do Estadual. No mesmo ano, seria o artilheiro do Robertão, com 12.


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 JOAO COSTA | BRASILIA | 23-09-09 13h25min
Tostão, o pequeno grande jogador e homem. Palavras são insuficientes para descrever sua habilidade com a bola e, agora, é igualmente hábil com as palavras. O Dr. Eduardo se tornou um dos, se não o mais, brilhantes comentaristas esportivos da atualidade. Sorte nossa tê-lo como um dos nossos maiores ídolos.
 Rogerio DF | Brasília e Entorno | 23-09-09 13h29min
A partir desse Ilustre Cidadão Dr. Eduardo o Tostão, que optei por torcer pelo Cruzeiro e desde então, há quatro décadas que bombea meu coração, o sangue azul para minhas veias!
 lucio sangue azul | sete lagoas | 23-09-09 15h20min
Rogério, eu também passei a torcer pelo cruzeiro a partir desse exemplo de jogador e de ser humano. Tostão, é arredio, sbemos. Mas prefiro-o assim do que ficar se expondo na midia e sendo usado por esse ou aquele meio de comunicação.
 Daniel Carvalho | Não definido | 23-09-09 16h04min
Este sim tem o que dizer... Cruzeiro Vencedor
 heliosangueazul | São Paulo | 23-09-09 16h32min
Esse sim, grande homem, grande jogador, ótimo caráter, me sinto um privilegiado de tê-lo visto jogar. Foi um dos maiores responsáveis por o nossso Cruzeiro ser hoje um dos maiores clubes do mundo, juntamente com Raul, Pedro Paulo, Piazza, Dirceu Lopes, Zé Carols, Natal entre outros. Quantas saudades....
 brunodaniel07 | Jo�o Pinheiro | 23-09-09 20h57min
Olha, sei que muita gente vai discordar de mim, mas eu não vi o Tostão e nem o Dirceu Lopes jogar, mas pra mim, o Tostão é o maior ídolo de todos os tempos do Cruzeiro, sempre que me perguntam quem é o maior idolo do Cruzeiro o primeiro nome que me vem a cabeça é o do Dr. Eduardo!! Basta pegar a fita da copa de 70 e ver, noventa por cento dos gols do Pelé, foram passes dele!!
 heliosangueazul | São Paulo | 23-09-09 22h50min
BRUNO! Não tenha dúvidas, é esse mesmo o maior ídolo de toda a história do Cruzeiro.
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