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Papo com Wilson Flávio
Wilson Flavio escrevia as tercas-feiras

03/04/2007 | Wilson Flavio
PIB x Futebol

“...futebol não é uma caixinha de surpresas.”

O IBGE anunciou no mês de março uma nova forma de cálculo do PIB. Com a inclusão de setores mais dinâmicos da economia, o número deu uma guinada. O PIB – Produto Interno Bruto -, grosso modo, mede a produção em um território em determinado período de tempo. Mesmo não sendo uma medida direta de riqueza, acaba por medir o poderio econômico de uma região. Tal notícia me suscitou uma curiosidade. Há relação entre o PIB e os resultados no futebol?

Para responder tal pergunta, comparei duas séries de dados: O PIB das Unidades Federativas do Brasil, ano de 2004*, e o ranking da CBF por federação**, atualizado em dezembro de 2006. O objetivo foi obter o coeficiente de correlação entre os dois dados: PIB e resultado no futebol. Coeficiente de correlação mede o grau de associação entre duas variáveis***. Varia entre 0 e 1 (ou 0 e -1) e fica mais próximo de 1 quanto maior for a correlação. O hábito de fumar e o câncer de pulmão, por exemplo, tem forte correlação.

Antes do resultado, um pouco da metodologia. Poderia ter trabalhado com o PIB das cidades, mas não o fiz porque tal relação possui uma identidade mais fraca que a do PIB dos estados. O PIB de Coronel Fabriciano, por exemplo, é tão íntimo de Timóteo e Ipatinga quanto da própria cidade. No caso de um estado, por sua maior dimensão territorial, as fronteiras têm menor influência na contabilidade da região. Além do mais, se optasse por trabalhar com o PIB das cidades, deveria também mensurar os resultados no futebol por cidade, e não por estado. E, também nesse caso, a identidade dos times brasileiros é maior com o estado do que com a cidade sede. Fosse diferente, o percentual de torcedores de um determinado time seria distinta na capital e no interior do respectivo estado. Não é o que se observa Brasil afora.

A opção de se trabalhar com a pontuação da CBF ao invés de títulos (para ficar em um exemplo de outra opção) se fundamenta no fato de o ranking levar em conta participações mais modestas. Se trabalhasse com títulos, acabaria por dar pesos muito parecidos a Ceará e Roraima, o que está longe de ser uma verdade. A opção pelo PIB de 2004 se deu porque não encontrei PIB mais recente. No entanto, isso tem pouca relevância, pois PIB não apresenta mudança brusca de um ano para outro. Argumento que também fundamenta a comparação de um dado aparentemente estanque, como o PIB de 2004, com outro que representa uma série histórica. O PIB de 2004 dos estados é resultado da história econômica destes mesmos estados. Se trabalhássemos como uma média do PIB de todos os anos que compreendem o ranking da CBF, obteríamos valor muito próximo.

O resultado da análise foi um coeficiente de correlação de 0,9722 ****. Em um trabalho estatístico, correlação superior a 0,7 já é merecedora de atenção. Coeficiente de correlação igual a 1 significa que as duas variáveis andam de braços dados, fato cuja existência é rara.

Diante de tal resultado, torna-se aceitável afirmar que futebol não é uma caixinha de surpresas. Talvez não para o próximo clássico, mas para o consolidado dos próximos 10 anos, sim.

P.S.: Esta coluna não tem a pretensão de ser um trabalho científico, cujo rigor metodológico não caberia neste espaço.

(*) http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=734
(**) http://www2.uol.com.br/cbf/ranking/ranking_uf.pdf
(***) Gujarati, Damodar N., Econometria Básica, Makron Books, Terceira Edição, 2000
(****) Caso o leitor queira reproduzir a análise, basta copiar a tabela a seguir para uma planilha e utilizar uma fórmula de coeficiente de correlação, informando como parâmetros as duas colunas com os dados (PIB e Pontos). Um gráfico de dispersão, com o PIB no eixo X e os Pontos no eixo Y mostrará pontinhos que darão a tendência de uma reta inclinada positivamente. Ou, então, se preferir, envie-me um e-mail solicitando a planilha que responderei.

Coeficiente de Correlação
0,972281027

Estado - PIB (2004, em R$ milhões) - Pontos no Ranking CBF

São Paulo - 546.607.616 - 15179
Rio de Janeiro - 222.564.408 - 8537
Minas Gerais - 166.564.882 - 4898
Rio Grande do Sul - 142.874.611 - 5271
Paraná - 108.699.740 - 4523
Bahia - 86.882.488 - 2871
Santa Catarina - 70.208.541 - 2207
Pernambuco - 47.697.268 - 3859
Distrito Federal - 43.522.926 - 806
Goiás - 41.316.658 - 2753
Amazonas - 35.889.111 - 725
Espírito Santo - 34.488.268 - 815
Pará - 34.196.694 - 1853
Ceará - 33.261.175 - 1860
Mato Grosso - 27.935.132 - 385
Mato Grosso do Sul - 19.954.505 - 731
Maranhão - 16.547.977 - 771
Rio Grande do Norte - 15.906.902 - 996
Paraíba - 14.863.913 - 728
Sergipe - 13.121.517 - 475
Alagoas - 11.556.013 - 1001
Rondônia - 9.744.908 - 74
Piauí - 8.611.106 - 436
Tocantins - 4.768.864 - 70
Amapá - 3.720.013 - 60
Acre - 3.242.123 - 135
Roraima - 1.864.318 - 43







Wilson Flavio
wilsonflavio@cruzeiro.org

Leia também as colunas anteriores Papo com Wilson Flávio

As opiniões e declarações aqui expressas são de inteira responsabilidade do autor. O Site Cruzeiro.Org não responde por nenhuma opinião assinada.

Comentários:  Clique aqui e faça seu comentário sobre a coluna

 marco | Curitiba | 03-04-07 09h34min
Wilson, você demonstrou com números e gráficos o que muitos já afirmam: onde existe mais dinheiro o futebol é melhor. Isto vale aqui no Brasil e também vale no mundo, onde Europa, Japão, etc., tem campeonatos melhores (com melhores jogadores) que os nossos. Só não é uma correlação direta pois existem outros fatores que também influenciam como planejamento, organização, experiência, etc. Nos resta torcer para mesmo em desvantagem econômica conseguirmos superar os adversários em campo.
 wilsonflavio | China Azul | 03-04-07 10h01min
Marco, beleza?! A coluna é o pontapé para um trabalho mais aprofundado, que deverá considerar séries de outros países. Sobre incluir mais variáveis, há de se ter o cuidado. Planejamento e organização são váriáveis que já estão imbutidas na variável PIB. Povos mais bem organizados são os mais ricos, Certo? Correlação entre variáveis independentes inferiria em um problema estatístico. Entretanto, deve haver outras variáveis quw enriqueceriam o modelo.
 wilsonflavio | China Azul | 03-04-07 10h08min
Marco, sobre "torcer com desvantagem", a coluna pode soar desanimadora para nós, que somos periferia. Sobre tal fato, vejo duas conclusões, uma boa e outra ruim. A boa é que a globalização tem derrubado barreiras - afirmação que virou lugar comum, mas que não deixa de ser uma verdade. As possibilidades aumentaram muito para quem não tá no centro. A conclusão ruim é que ainda alimentamos instituições que nos prendem a competições menos rentáveis. Falo do Campeonato Mineiro.
 Isaac | Guarapari | 05-04-07 12h56min
Wilson
Outro dia o MESTRE tinha colocado aqui que a RECORD queria pagar a quantia de 15 mi pelo RURAL. ACHEI QUE ESTAVA TOTALMENTE ERRADO COM MINHA IDÉIA SOBRE ESTE CAMPEONATO......Ledo engano meu e do querido MESTRE!!!!!! Veja vc que a mesma RECORD oferece a quantia de 45 mi pelo campeonato Carioca. Aí ví o quanto somos PERIFERIA mesmo!!!!! Olhando pelo gráfico dá pra entender isto....pobre MG!
 Isaac | Guarapari | 05-04-07 12h58min
Wilson
sÓ UM DADO A MAIS...Rio de Janeiro - 222.564.408 - 8537 Minas Gerais - 166.564.882 - 4898............SERÁ QUE O PIB é tres vezes maior?
 wilsonflavio | China Azul | 05-04-07 14h28min
Isaac, beleza?! Comentei sobre isso em um debate recente no blog do Jorge. A questão não é o baixo valor que recebemos, mas sim a diferença entre o que recebemos e o que recebem paulistas e cariocas. Este era meu argumento naquela coluna "Mineiro sem Ouro". Um aumento no salário mínimo acompanhado de igual aumento em todos os outros salários é inócuo. A inflação trata de colocar os pobres de volta ao seu lugar. Comemoremos a oferta, mas não muito.
 wilsonflavio | China Azul | 05-04-07 14h33min
Isaac, a tabela ficou com formatação prejudicada. O PIB do Rio é de 222.564.408 e o de Minas é de 166.564.882, portanto nem duas vezes maior. Os números que se encontram ao lado, precedidos de "-" dizem respeito à pontuação no ranking da CBF. Os dados do PIB estão no site do IBGE, cujo link se encontra ao final da coluna. Caso queira a planilha, me passe seu e-mail. O meu é wilsonflavio@cruzeiro.org. Falou!
 Isaac | Guarapari | 06-04-07 11h57min
WILSON FLÁVIO
É indiscutivel o apego que os times do Rio tem fora do seu estado. Aqui no ES da pra notar isto, afinal o CAPIXABA é torcedor dos times de lá. Não discuto isto em se tratando de horário nobre da TV, cota de patrocínio e etc. É mais fácil vender o Flamengo que qualquer time de MG. Não se trata de absurdo nenhum, mas pagar 15 no Mineiro e 45 no Carioco e desproporcional de mais. Em tempo, quero a planilha, mar_mirai@oi.com.br
 wilsonflavio | China Azul | 08-04-07 22h13min
Isaac, infelizmente, não é desproporcional. A soma das torcidas dos quatro principais times cariocas é mais que três vezes superior à soma das torcidas dos dois principais times mineiros. Aliás, o principal time carioca tem mais torcida em Minas do que as frangas. Essa é a conta que a TV faz. Por isso eu sou a favor de mudar a forma dos estaduais. Eles só perpetuam a diferença.
 assis30 | Não definido | 09-04-07 13h59min
Wilson comungo do mesmo pensamento que você os estaduais deveriam acabar pois eles é que geram essas diferenças de captação de recursos, a sua proposta de uma copa do Brasil maior no lugar dos estaduais é perfeita e mais justa!
 wilsonflavio | China Azul | 09-04-07 15h03min
Assis30, a divisão de cotas de TV e contratos de patrocínio em competições nacionais leva em conta o time/torcida, enquanto nos estaduais leva em conta a atratividade do estadual. No primeiro é difícil superarmos adversários, enquanto no segundo é quase impossível. Você, que leu aquelas minhas colunas que tratavam do tema, sabe do que estou falando. Torneios nacionais do início ao fim do ano dirimiriam a diferença. Estadual seria apenas divisão de acesso.
 wilsonflavio | China Azul | 09-04-07 15h07min
Assis30, ao contrário do que possa parecer, minha proposta não extingue os estaduais. Acho até que pode deixá-lo mais interessante. Pergunte, hoje, a um torcedor de um time do interior o que ele espera de seu time no Campeonato Mineiro. Ir para as semi-finais, dirá o interiorano. Sem graça, não acha? Um regional sem os times das séries A e B, com acesso à série C e àquela Copa do Brasil (que é maior que o Brasileirão de 93) seria mais interessante do que o que temos aí.
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